O que isso me faz

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Blog anteriormente publicado em 2016

Fora do meu mundo, há muitos outros mundos. Fora de Haia ou Amesterdão, há muitas outras grandes cidades. Fora da sociedade holandesa, existem muitas outras sociedades. Agora acontece que eu vivo fora dos Países Baixos e dentro da Europa. Embora, no limite. Portugal. Na verdade, bastante separado do Norte da Europa por aquele limiar elevado chamado Pirenéus. Aquela península ibérica parece balançar por um pouco. Mas nada poderia estar mais longe da verdade. Também aqui, as pessoas fazem o que as pessoas fazem em todo o mundo. 

É do meu mundo português que eu quero falar. Sobre o meu conhecimento do que acontece aqui. Aprendo a língua, falo português o mais que posso e ensino yoga em português. Também vejo televisão portuguesa e compro o jornal todos os sábados, que depois folheio, arrancando artigos interessantes para dissecar mais tarde. 

Embora soubesse desde jovem – sempre a mudar casa e países – que todas as sociedades têm a mesma coisa para oferecer, na origem, ainda me admiro cada vez que reconheço coisas. 

Aqui, também fazem listas no final de um ano. Por exemplo, deparei-me com uma lista sobre pessoas que perderam a vida em 2016 e que vale a pena recordar aqui. Percorro imediatamente essa lista. Isso incluiria as mesmas pessoas que nas listas holandesas? E sim, de facto. Veja isto:

  • David Bowie
  • Mohammed Ali
  • Príncipe
  • Leonard Cohen
  • Johann Cruijff
  • Fidel Castro
  • Umberto Eco
  • Dario Fo
  • Zaha Hadid
  • Arnold Palmer

Mas, nessa mesma lista estão nomes que não conheço e são aparentemente suficientemente importantes para constar na Visão (uma opinião semanal com estatura). E o mais estranho é que isto me deixa tão curioso sobre quem são estas pessoas. Porque são tão importantes que aparecem nessa lista. 

João Lobo Antunes (a não confundir com o escritor António). “O médico corajoso”. Neurologista, professor, filosofou e escreveu sobre ética e medicina. Um neurocirurgião famoso que liderou o caminho em Nova Iorque durante anos.

António de Almeida Santos, político. “Senhor e artista”. Instalou-se em 1953 como advogado em Moçambique (então uma colónia de Portugal) onde viveu durante 20 anos e lançou a sua carreira política. Em 1974 (após a partida do ditador português Salazar), regressou a Portugal a convite do então presidente e construiu firmemente a sua carreira política para começar como ministro da justiça. Escreveu mais de 10 livros sobre a profissão jurídica e uma autobiografia de dois volumes sobre o processo de descolonização de Moçambique em 1974 e 1975. Foi elogiado pela sua intuição política. 

Nicolau Breyner, actor. “Contente e generoso. Ele deixou uma marca indelével na televisão portuguesa. Ele devia o seu apelido O Senhor Contente ao primeiro programa de televisão em que participou. Ali, formou um duo chamada “Senhor Feliz e Senhor Contente”. Foram-lhe atribuídos altos prémios.

Nuno Teotónio Pereira, “Arquitecto da Igualdade”. Com fama e muitos prémios, especialmente no campo da habitação social. Em 1952, fundou o “Movimento para a Renovação da Arte Religiosa”. 

Mário Moniz Pereira, “Treinador de exemplo”. Professor de desporto, atleta, formador e escritor de canções. O atletismo era a sua paixão, mas a verdade é: ele adorava todos os desportos.  

E o que faço agora com toda esta informação? Nada. Isso é verdade. O que isso me faz seria uma pergunta melhor.

Familiarizo-me com o que move as pessoas no país onde vivo agora. Estou sempre à procura de saber mais sobre a alma de um povo. 

Por esta altura já sei isto: compreender a história de um país dá uma visão sobre a alma de um povo. A história de Portugal é vasta e feroz. O seu povo tem sido moldado por ela. Mas o que os move ou os holandeses é o mesmo que move todas as outras pessoas.

Pode ser resumido em três palavras: 
VERDADE, BONDADE E BELEZA. 

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